''Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas. Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei...''

Caio Fernando Abreu

"Porque ao longo desses  meses que eu estive sem você eu fiz de tudo pra tentar te esquecer, já matei você mil vezes e seu amor ainda me vem, então me diga quantas vidas você tem?"






"Dentro de mim mora um grito... À noite ele sai com suas garras, à caça de algo para amar. Sou aterrorizada por essa coisa negra que dorme em mim; O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade. Nuvens passam e se dispersam. São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis? Foi para isso que agitei o meu coração? Sou incapaz de mais compreensão. E o que é isso agora, essa face assassina em seus galhos sufocantes? O beijo traiçoeiro da serpente petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos, que matam, matam, matam."

Sylvia Plath




“Ficar bem nem sempre deixa outras opções. É estranho quando as coisas simplesmente têm de terminar. É o estágio onde todos os sentimentos já evoluíram para um nada. É o nada que você optou para parar de sentir dor. No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas. Acostuma-se. Não que pare de doer, mas que cai no seu entendimento que às vezes perdemos algo e não há solução. No fim você coloca um sorriso no rosto e finge que é sincero, até que a vida o faça realmente ser.”

Caio Fernando Abreu.



E de repente eu me vejo novamente chorando. Mais uma vez pensando em como seria bom poder hibernar, sem que depois de acordar fosse necessário recuperar todo o tempo perdido, assumir as consequências. Novamente eu vejo as pessoas ao meu redor vivendo suas vidas com vontade, lutando pelo que querem ou precisam. E eu ainda estou aqui, ajoelhada nos cacos do meu coração que eu ainda não consegui encaixar. Eu não faço ou sinto isso porque eu gosto, eu não preciso da sua compaixão. Só o que eu preciso é conseguir respirar sem que minha garganta seja lacerada a cada inspiração. Eu preciso me sentir inteira, completa, verdadeira e motivada. Eu retornei dois passos da borda do precipício, por 22 horas. Mas eu retornei à mesma posição, onde meus dedos dos pés não possuem apoio. O vento continua batendo forte, mas diferente de quando ele me empurrava pra trás, impedindo que meu corpo fosse inclinado a ponto de não ter mais forças pra retornar, o vento está mudando de direção. Agora eu o sinto na minha nuca, num aumento progressivo de intensidade, revoltando meus cabelos, e ainda assim me impedindo de respirar com tranquilidade.